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Mercado de imóveis compactos em Florianópolis: onde está a oportunidade

Por Marcos Santarosa5 min de leitura

Depois de quase 20 anos analisando mercado imobiliário (11 no Sudeste e 9 aqui na ilha), posso dizer com tranquilidade: Florianópolis tem uma dinâmica própria, que depende pouco do humor do cenário nacional.

O que mudou nos últimos anos não foi a demanda. Foi a forma de calcular o retorno. E entender essa mudança é o que separa uma compra boa de uma compra mediana em 2026.

Florianópolis não é moda, é estrutura

A procura por imóvel na ilha vem de fatores concretos e duradouros:

  • Turismo consolidado, que deixou de depender só do verão: eventos, negócios e o turismo de inverno espalharam a ocupação pelo ano.
  • Migração de profissionais de alta renda, trazidos pelo trabalho remoto e pelos polos de tecnologia.
  • Qualidade de vida, que atrai e, principalmente, mantém quem chega.
  • Aluguel em alta: segundo o FipeZap+, o aluguel residencial em Florianópolis subiu cerca de 60% em três anos (ago/2022 a ago/2025), colocando a cidade entre as cinco capitais com aluguel mais caro do país.

Somado a isso, existe um público que cresce ano após ano: o hóspede de curta temporada. Ele chega de avião, fica de três a sete dias, reserva por aplicativo, anda de Uber e não precisa de vaga de garagem nem de um imóvel grande. Precisa de um lugar bem localizado, limpo e funcional.

A mudança na conta: moradia, híbrido ou short stay

O jeito tradicional de avaliar um studio era olhar apenas o aluguel mensal. Hoje existem três formas de alugar o mesmo imóvel:

  • Só moradia: contrato de longa duração, o ano todo.
  • Híbrido: aluguel de moradia na baixa temporada e locação por temporada nos meses mais fortes.
  • Short stay: locação por temporada o ano todo, por plataformas como Airbnb e Booking.

Veja um studio de R$ 350 mil nas três formas, com as mesmas premissas:

Só moradiaHíbridoShort stay
Aluguel de moradia12 meses × R$ 2.2008 meses × R$ 2.200—
Temporada—4 meses: 72 diárias × R$ 33012 meses: 216 diárias × R$ 330
Receita bruta no anoR$ 26.400R$ 41.360R$ 71.280
Custos (gestão, condomínio, IPTU)R$ 3.240R$ 8.512R$ 19.056
Renda líquida no anoR$ 23.160R$ 32.848R$ 52.224
Rentabilidade líquida6,6% a.a.9,4% a.a.14,9% a.a.
Retorno total estimado11% a 13%13% a 15%19% a 21%

O retorno total soma a renda líquida a uma valorização estimada de 4% a 6% ao ano, antes do imposto de renda. Para comparar: o índice FipeZap registrou valorização próxima de 8% ao ano em Florianópolis no período recente, o que mostra que a premissa de 4% a 6% é conservadora.

O short stay é o que mais rende no papel, mas também é o que mais depende da localização e da gestão: a ocupação precisa se sustentar fora do verão. Se a média do ano cair de 60% para 50%, a rentabilidade líquida vai de 14,9% para 12,2%, ainda acima do híbrido. Por isso ele funciona melhor em regiões com demanda o ano todo, como o centro e os bairros perto do mar com turismo consolidado. O híbrido é o caminho mais previsível onde a temporada se concentra no verão.

Premissas: 60% de ocupação nas noites de temporada (120 noites no híbrido, 360 no short stay) e diária média de R$ 330; gestão de 20% sobre a temporada e 10% sobre a moradia; condomínio de R$ 350/mês pago pelo proprietário nos meses de temporada; IPTU de R$ 600/ano. Não inclui mobília e enxoval, necessários para operar em temporada. Estimativas, não promessa de rentabilidade.

Onde a conta fecha melhor

A rentabilidade não depende só do imóvel. Depende de onde ele está e de quem vai querer se hospedar ali.

Sul da Ilha (Campeche, Novo Campeche): demanda turística forte e consolidada, praia a poucos minutos a pé, público de casais e nômades digitais. É onde o modelo de temporada é mais previsível.

Norte da Ilha (Jurerê): o turismo de padrão mais alto da ilha. Diárias maiores no verão e forte apelo para quem busca imóvel perto do mar.

Região central e Baía Norte (Centro, Beira-Mar, João Paulo): o público é o turista de negócios e o hóspede de média estadia. A sazonalidade é menor, porque a cidade funciona o ano inteiro.

Fora da ilha, na Serra Catarinense: um mercado diferente, de casas e turismo de experiência, como Rancho Queimado. A lógica é outra (mais diária, menos ocupação) e vale uma análise separada.

O fator compacto (e sem vaga)

O insight econômico mais importante para 2026 é que o imóvel de investimento não precisa ser o imóvel em que você moraria. Um studio ou loft de 19 m² a 45 m², bem localizado e sem vaga de garagem fixa:

  • custa menos, e a rentabilidade é calculada sobre um valor menor;
  • atende exatamente o hóspede que chega sem carro;
  • tem um público comprador maior na hora da revenda.

Explico a questão da vaga em detalhe no artigo Por que o studio de investimento não precisa de vaga de garagem.

Conclusão: o que eu procuro em 2026

Se eu estivesse comprando para investir hoje, procuraria:

  • imóvel compacto (studio ou loft);
  • localização com demanda real de temporada, perto do mar ou de polos de negócio;
  • sem vaga fixa, para não pagar por algo que o hóspede não usa;
  • modelo de renda híbrido, que reduz a vacância;
  • preço justo de entrada, de preferência na planta ou em modelo a preço de custo.

O mercado mudou. Quem entende os números, e não só o preço, aproveita a janela.

Marcos Santarosa

Marcos Santarosa

Economista (UFJF) e consultor de investimentos imobiliários em Florianópolis, com 20 anos de mercado. Quem sou

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