Toda semana alguém me pergunta: "Marcos, com os juros altos, ainda vale a pena comprar imóvel? Não é melhor deixar no CDB?"
É uma pergunta justa. E a resposta honesta não é "imóvel sempre ganha". Cada aplicação tem o seu papel. Vou mostrar os números lado a lado, com um valor base de um studio de R$ 390 mil em Florianópolis.
As opções
1. Renda fixa (CDB 100% do CDI)
Com o CDI na casa dos 13,6% ao ano, um CDB rende cerca de 11,6% ao ano líquido depois do IR de 15% (para prazos acima de dois anos). Descontada a inflação de cerca de 4% ao ano, o ganho real fica perto de 7%.
2. Fundo imobiliário (FII)
Um bom FII de tijolo paga em torno de 8% ao ano em dividendos isentos de IR, e as cotas podem valorizar ou desvalorizar conforme o mercado. O retorno total fica na faixa de 8% a 12% ao ano, com oscilação diária.
3. Studio de R$ 390 mil em Florianópolis, em três formas de alugar
- Locação anual (moradia o ano todo, R$ 2.450/mês): renda líquida de R$ 25.860 por ano, ou 6,6% sobre o valor do imóvel
- Híbrido (8 meses de moradia e 4 de temporada): renda líquida de R$ 36.952 por ano, ou 9,5%
- Short stay (temporada o ano todo): renda líquida de R$ 59.136 por ano, ou 15,2%
- Valorização de mercado estimada: 4% a 6% ao ano
- Retorno total estimado, antes do IR: cerca de 11% a 13% na locação anual, 13,5% a 15,5% no híbrido e 19% a 21% no short stay
Premissas do studio: aluguel de moradia de R$ 2.450/mês com 10% de administração; temporada com 60% de ocupação e diária média de R$ 370, com 20% de gestão; condomínio de R$ 350/mês pago pelo proprietário nos meses de temporada; IPTU de R$ 600/ano. Estimativas, não promessa de rentabilidade.
O imposto muda a conta
Aqui está o ponto que muitos artigos de imóvel escondem: aluguel paga imposto de renda pelo carnê-leão, na tabela progressiva (até 27,5%, dependendo da sua renda total). A valorização só é tributada quando você vende, em 15% sobre o ganho.
Considerando uma alíquota efetiva de 15% sobre o aluguel, o comparativo fica assim:
| CDB | FII | Studio locação anual | Studio híbrido | Studio short stay | |
|---|---|---|---|---|---|
| Renda anual líquida | 11,6% | ~8% | ~5,6% | ~8,1% | ~12,9% |
| Valorização do capital | 0% | 0% a 4% | 4% a 6% | 4% a 6% | 4% a 6% |
| Retorno total estimado | ~11,6% | ~8% a 12% | ~9,5% a 11,5% | ~12% a 14% | ~17% a 19% |
| Proteção contra inflação | Não | Parcial | Sim | Sim | Sim |
| Liquidez | Alta | Alta | Média | Média | Média |
| Risco* | Muito baixo | Médio | Baixo | Baixo | Médio |
| Dependência de gestão | Nenhuma | Nenhuma | Baixa | Média | Alta |
*Risco: o CDB tem a garantia do FGC até R$ 250 mil por instituição; o FII oscila na bolsa todos os dias; no imóvel, o capital está no próprio bem, e o risco principal é de vacância e de gestão, maior no short stay porque a renda depende da ocupação.
Leitura honesta: com a Selic alta, a renda fixa é uma concorrente séria na renda do mês. Mas o maior ponto do imóvel não é a renda: é que ele valoriza além da rentabilidade. No CDB, o seu capital rende juros e só. No imóvel, você recebe o aluguel e, ao mesmo tempo, o próprio bem vale mais a cada ano. E, comprando na planta, a conta fica ainda melhor: o desembolso é mensal e mais suave, você não precisa ter os R$ 390 mil na mão hoje, e a valorização entre o lançamento e a entrega costuma ser bem maior que a valorização normal de mercado, porque você entra no preço de lançamento e recebe um imóvel pronto. Em compensação, você abre mão de liquidez imediata.
Quando cada um faz sentido
- Renda fixa: reserva de emergência, dinheiro que você pode precisar em menos de três anos, ou quando a Selic está muito acima da inflação.
- FII: quem quer exposição a imóveis com pouco capital e liquidez diária, aceitando a oscilação.
- Studio em locação anual: quem quer o menor trabalho possível e uma renda estável, com contrato longo.
- Studio híbrido: quem pensa em cinco anos ou mais, quer construir patrimônio real e prefere uma renda mais previsível.
- Studio short stay: quem busca a maior renda, num imóvel bem localizado e com gestão profissional, aceitando mais variação mês a mês.
A melhor resposta, na maioria dos casos, é combinar. Não é "imóvel ou renda fixa". É quanto em cada um.
Por que a temporada muda o jogo
O investidor tradicional olha: "o studio aluga por R$ 2.450, isso é 7,5% bruto, não compensa." E ele tem razão, se for só locação anual: o líquido fica em 6,6% ao ano e, sozinho, perde para o CDB.
A temporada nos meses fortes adiciona cerca de R$ 11.100 por ano de renda líquida no mesmo imóvel. Operando em short stay o ano todo, a diferença sobe para cerca de R$ 33.300 por ano: mais de R$ 165 mil em cinco anos, sem contar os reajustes e a valorização.
Conclusão
Imóvel não é mágica, e quem diz que ele "sempre ganha" está vendendo, não analisando. Mas, bem escolhido e bem operado, um studio em Florianópolis é competitivo mesmo com os juros altos, valoriza junto com o mercado, protege o capital da inflação e gera uma renda que acompanha o tempo. Comprado na planta, ainda permite investir em parcelas e capturar a valorização da obra.
Se quiser, faça a conta com os seus números no simulador.


